A filantropia do Maranhão, por parte dos grandes empresários, nunca chegou a ser uma realidade. A Fundação Antonio Dino, mantedora do Hospital Aldenora Bello é a prova. A administração do hospital faz milagre com a tabela SUS defasada combinado com convênios do Governo do Estado e Prefeitura de São Luís, que muitas vezes não apresentam o seu pagamento contínuo.

O Hospital de Barretos, que opera com 60% de filantropia, faz o atendimento graças a doações de grandes empresários, com mais notoriedade aos ligados ao show business. Mas veio de Pernambuco, o exemplo para os empresários maranhenses, que a iniciativa privada pode cumprir a sua função, que não é só o lucro.

Os micros e pequenos empresários, hoje, estão estrangulados com a cadeia produtiva em colapso. Os grandes, porém, têm liquidez para atravessar a crise e lastro para uma recuperação financeira em pequeno, médio e grande prazo.

O exemplo de civilidade e responsabilidade social, chegou do grupo “Atitude Pernambuco”. Foi anunciado a compra de equipamentos para o Real Hospital Português (RHP), um hospital filantrópico de Recife. Os empresários pernambucanos argumentaram, em carta aberta, que diante a necessidade de mais equipamentos para suportar um pico de demanda do COVID-19, foram comprados novos aparelhos de ventilação pulmonar e respiração assistida.

O ato de doação, assinam na carta, foi feito “em caráter de renúncia integral de qualquer forma de retorno ou contraprestação e em manifestação de apoio complementar a todos os esforços já empreendidos pelas autoridades”.

No Maranhão, a renúncia observada é apenas a fiscal. Os empresários que geram empregos, também ganham bilhões de reais em território maranhense. O deputado estadual Dr. Yglésio (PROS) provocou no Twitter o grande capital. Os esforços do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa foram citados e acompanhados de: “E o grande empresariado do Maranhão, vai fazer o quê?”.

Sem nominar os grandes pagadores de impostos e arrecadadores de lucros, o deputado listou o “pessoal das bebidas, metalurgia, atacadistas, siderurgia, papel e celulose, agronegócio”, caracterizando-os como o grande empresariado do Maranhão, o deputado disse que vai sugerir ao Governo do Maranhão para suspender por 90 dias, pelo menos, todo e qualquer incentivo as grandes empresas.

A proposta não deixa de ser uma contraofensiva da omissão de empresas como Vale, Alumar, AmBev, Porto São Luís, Equatorial Energia, Eneva, Suzano, Agronegócio, para citar algumas. Enquanto o empresariado do Maranhão bate à porta do Palácio dos Leões e do Palácio Manoel Beckman, atrás de isenções fiscais, em Pernambuco, um grupo de empresários intitulados de “Atitude Pernambuco”, querem doar com isenção de qualquer contrapartida.

Esses mesmos empresários são os que defendem um Estado mínimo. Chegou a hora de provar a viabilidade.