Opinião

Cultura precisa mais que cachet do Carnaval

Todo setor cultural, envolvendo o setor do entretenimento, precisa muito mais do que o pagamento do cachet de carnaval.

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), anunciou o pagamento de cachet como uma espécie de auxílio emergencial, o que na verdade não é.

O carnaval não aconteceu e o dinheiro, já reservado para isso, não foi utilizado. Os recursos utilizados para pagar as atrações no carnaval devem ser utilizados para pagar artistas e agremiações.

O pagamento será de no mínimo R$ 1 mil e o máximo de R$ 10 mil. Só que o custo do carnaval é muito maior que R$ 1 milhão e o ‘auxílio’ poderia ser também uma indenização pela paralisação no setor. Para todo o ano, o orçamento anual da Secretaria Municipal de Cultura foi aprovado pela Câmara Municipal de São Luís em R$ 18 milhões.

Toda a cadeia cultural foi afetada. Principalmente o artista que tem seu sustento garantido somente quando sobe no palco. Os produtores culturais e empresários, que são os responsáveis por criar o cenário para que o show possa continuar, estão desamparados por todo poder público.

Sem regras claras no jogo, do poder público – executivo, legislativo e judiciário – os produtores de eventos só recebem a porrada. Autorizados a realizar réveillon, empresários tiveram prejuízos depois de contratar estrutura e artistas nacionais, fora que os artistas locais ficaram sem o cachet, já que não é costume receber antecipado.

Os empregos perdidos no segmento de eventos superam em quase 80 vezes os afetados com o fechamento das fábricas da Ford no país. É o que garante a Associação Brasileira de Produtores de Eventos (Abrape).

No início do mês, o Governo Federal fez um aceno para o setor e anunciou a liberação de R$ 408 milhões para o setor de cultura e entretenimento. Os recursos serão destinados por linhas de crédito do BNDES com carência de dois anos e juros a 0,8%.

Na governança municipal, pode-se pensar no momento de retomada dos eventos. Primeiro garantido ambiente para trabalhar e, conjuntamente, propor alternativas para que os negócios não quebrem, como incentivos fiscais no pós-pandemia.