A movimentação em São Paulo revela menos um reposicionamento isolado e mais um encontro de interesses.
De um lado, o entorno do ministro Fernando Haddad avalia que ampliar a base passa por atrair setores que historicamente estiveram fora do campo petista. Do outro, o PSDB também se movimenta.
Procurou o governador Tarcísio de Freitas. Abriu diálogo. Testou caminhos.
Não há gesto unilateral.
O que existe é uma convergência pragmática num cenário em que a polarização nacional reorganizou os espaços de poder e deixou o PSDB sem um campo próprio claramente definido.
São Paulo, que já foi o eixo da disputa PSDB x PT, hoje vira laboratório de outra lógica.
A possibilidade de aproximação, ainda que tática, expõe um partido que busca relevância num tabuleiro onde já não dita as regras, mas também não aceita sair do jogo.
E isso muda o sentido da crítica.
Não se trata apenas de um PSDB que se aproxima.
Trata-se de um sistema político que passa a absorvê-lo.
Com PT e aliados interessados em ampliar seu raio de ação, e o PSDB disposto a negociar espaços, a antiga linha de confronto dá lugar a uma zona de interseção.
Onde adversários históricos passam a conversar.
E, em alguns casos, a se complementar.
