O lançamento recente do documentário sobre a banda Raimundos reacendeu o interesse em torno de uma das trajetórias mais marcantes do rock nacional. Entre memórias, conflitos e rupturas expostas ao grande público, o grupo volta ao centro do debate e, em meio a esse novo momento, desembarca em São Luís.
A banda será responsável por abrir o show do Guns N’ Roses no próximo dia 21 de abril, no Estádio Castelão, em uma das apresentações mais aguardadas do calendário cultural da capital maranhense em 2026.
A escolha do Raimundos para abrir os shows do Guns N’ Roses não é pontual. A banda brasileira foi escalada para diversas datas da turnê no país, passando por capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e também São Luís. O movimento reforça o peso e a relevância histórica do grupo dentro do rock nacional e evidencia uma trajetória que atravessou diferentes fases, crises e mudanças de formação, mas que segue consolidada, mantendo espaço em grandes palcos e diálogo com novas gerações.

O documentário lançado pelo Globoplay reposicionou os Raimundos no debate público ao revisitar a ascensão meteórica da banda nos anos 1990, período em que o grupo saiu de Brasília para dominar rádios, MTV e festivais pelo país. Ao mesmo tempo, a produção mergulha nos bastidores de uma trajetória marcada por excessos, tensões internas e decisões que mudaram o rumo da banda.
O ponto mais sensível é a reconstrução da saída de Rodolfo Abrantes, no auge do sucesso. Um episódio que por anos ficou cercado de versões fragmentadas e que agora ganha novos contornos a partir de depoimentos, arquivos e relatos diretos dos envolvidos. O documentário não busca apenas explicar, mas expor. E, ao fazer isso, transforma a história dos Raimundos em algo mais humano, menos mito, mais realidade.
É esse novo olhar que chega junto com o show em São Luís.
A apresentação no Castelão deixa de ser apenas uma abertura e passa a funcionar como um reencontro entre banda e público, agora atravessado por memória, revisões e nostalgia. Quem cresceu ouvindo Raimundos revisita uma fase marcante da música brasileira. Quem chega agora, encontra uma banda cuja história acabou de ser recontada.
Ao dividir a noite com um dos maiores nomes do rock mundial, os Raimundos chegam à capital maranhense inseridos em uma nova fase de visibilidade. Para o público, não será apenas um show de abertura. Será a chance de assistir, ao vivo, uma banda que voltou ao centro da conversa nacional — no exato momento em que sua história volta a ser contada.
Hoje, a banda é formada por Digão (vocal e guitarra), Marquim (guitarra), Jean Moura (baixo) e Caio Cunha (bateria), formação que mantém o grupo em atividade e em turnê pelo país. Nos anos 1990, porém, os sucessos que marcaram uma geração foram construídos pela formação clássica, com Digão ao lado de Rodolfo Abrantes, Canisso e Fred Castro.
