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Grajaú entra no radar e pode ser a nova Turilândia no Maranhão; prefeito sob alerta

Nos bastidores da política maranhense, uma comparação começa a ganhar força: o prefeito Gilson Guerreiro pode se tornar um novo personagem em um roteiro já conhecido no estado e Grajaú, a próxima cidade a entrar nesse circuito. A analogia, ainda restrita a conversas entre pares dos corredores da Justiça, remete a casos como o de Turilândia, que se tornaram símbolo de escândalos e corrupção envolvendo gestão municipal.

O alerta ganhou corpo após o discurso do deputado Yglésio Moyses na Assembleia Legislativa.

Em plenário, o parlamentar afirmou ter recebido denúncias da própria população de Grajaú e de agentes políticos locais sobre possíveis irregularidades em contratos da prefeitura e detalhou o que considera um caso grave.

“Eu nunca vi ninguém pagar adiantado dentro da administração pública. Pois é, o prefeito de Grajaú pagou antecipadamente R$ 16 milhões, praticamente com zero obra executada”, afirmou.

Segundo o deputado, o contrato teria sido firmado após um processo licitatório marcado por questionamentos. “Foram feitas 12 impugnações. Saiu desclassificando Deus e o mundo para chegar a uma empresa específica”, disse, ao mencionar a empresa Projeta Solar, que, segundo ele, já teria atuado em município vizinho.

Yglésio também levantou a suspeita de um possível padrão de atuação entre cidades. “Provavelmente, e eu digo provavelmente porque vou me aprofundar nisso, é um modus operandi de quadrilhas: município, município vizinho, e assim por diante”, declarou.

O deputado afirmou ainda que prepara uma denúncia formal para encaminhamento ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão e ao Ministério Público do Maranhão.

Mas o que chama atenção não é apenas o episódio mais recente.

O site A Carta Política apurou que outras frentes da administração municipal de Grajaú já foram alvo de questionamentos e chegaram ao Ministério Público, envolvendo áreas sensíveis da gestão pública. Entre os pontos sob análise estão contratos de manutenção predial, transporte escolar, aquisição de livros didáticos e reforma de escolas.

Na área da saúde, também há registros de questionamentos envolvendo a adesão a atas de medicamentos e a anulação de pregão relacionado ao fornecimento desses insumos, o que amplia o campo de dúvidas sobre a condução de processos administrativos no município.

Além disso, problemas relacionados à transparência pública também aparecem no radar. Há registros de falhas no portal da transparência e ausência de apresentação de dados referentes à folha de pagamento, o que dificulta o controle social e o acompanhamento da gestão por parte da população e dos órgãos fiscalizadores.

Nos bastidores, a leitura que começa a se consolidar é de que os episódios não são isolados. A repetição de questionamentos em áreas estratégicas, como educação, saúde e infraestrutura, levanta dúvidas sobre o modelo de gestão adotado no município.

A combinação entre um novo contrato sob suspeita, com valores expressivos e possível pagamento antecipado, e um histórico recente de questionamentos forma um cenário que passa a exigir atenção redobrada dos órgãos de controle.

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