O avanço da tuberculose no Maranhão voltou ao radar de especialistas em saúde pública. Dados do último Boletim Epidemiológico da doença apontam cerca de 3 mil novos casos registrados em 2024, com 200 mortes confirmadas no estado.
O crescimento não é pontual. A taxa de incidência saiu de 30 casos por 100 mil habitantes, em 2020, para 40,3 em 2024, consolidando uma curva de alta nos últimos cinco anos. A doença atinge principalmente homens acima dos 15 anos, que concentram mais de 66% dos registros.
O cenário local acompanha o movimento nacional. O Brasil ultrapassou 85 mil casos recentes e viu o número de mortes crescer mais de 30% em 15 anos, afastando o país das metas de erradicação estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde.
No mundo, o quadro também preocupa. Relatório global da OMS indica que 7,5 milhões de pessoas foram diagnosticadas com tuberculose em 2024, com cerca de 1,3 milhão de mortes — números que colocam a doença entre as principais causas de óbito por agente infeccioso.
Um dos principais desafios apontados por especialistas é o diagnóstico tardio. Estudos recentes mostram que a maioria dos casos pode evoluir sem sintomas evidentes. Em uma análise com quase mil pessoas expostas à doença, mais de 80% dos diagnósticos ocorreram em pacientes assintomáticos, o que dificulta a interrupção da cadeia de transmissão.
A pneumologista Maria Cecília Maiorano afirma que a ausência de sintomas clássicos não pode ser tratada como sinal de segurança. Segundo ela, pessoas que tiveram contato com casos confirmados devem buscar avaliação médica mesmo sem sinais aparentes.
Entre os sintomas mais comuns estão tosse persistente por mais de três semanas, febre, suor noturno, cansaço e perda de peso. A doença atinge principalmente os pulmões, mas pode avançar para outras partes do corpo em casos mais graves.
O tratamento é ofertado gratuitamente pelo sistema público de saúde e dura, no mínimo, seis meses, com uso contínuo de antibióticos. A interrupção do processo pode levar à resistência da doença e agravar o quadro clínico.
A avaliação de especialistas é que o aumento dos casos, aliado à dificuldade de diagnóstico precoce, exige reforço nas estratégias de rastreamento e informação. Sem isso, a tuberculose segue avançando de forma silenciosa e mantendo níveis elevados de transmissão no estado.
