Mesmo com a melhora natural das pastagens durante o período chuvoso, a suplementação de bovinos segue como estratégia relevante dentro dos sistemas de produção. É o que apontam estudos técnicos e análises de desempenho no campo, que indicam ganho adicional de peso e impacto direto no resultado econômico das fazendas.
Pesquisas mostram que, nas águas, há aumento tanto na quantidade quanto na qualidade do capim. Ainda assim, especialistas defendem que o cenário não elimina a necessidade de suplementação. Segundo Victor Fonseca, coordenador técnico de bovinos de corte da MCassab, o uso de suplementos acelera o desempenho dos animais mesmo em condições favoráveis de pasto.
Na prática, o capim continua sendo a base da alimentação, mas a suplementação entra como ferramenta de ajuste fino. Estudos compilados sobre pastagens tropicais indicam que o ganho adicional de peso com suplementos proteicos tende a diminuir conforme aumenta o teor de proteína do capim — podendo se tornar nulo quando a forragem atinge cerca de 15% de proteína bruta.
Ainda assim, outros levantamentos apontam ganhos expressivos. Trabalhos conduzidos em sistemas de recria mostram aumento de até 60% no ganho de peso diário em animais suplementados com proteico-energéticos, em comparação com aqueles que recebem apenas suplementação mineral.
O impacto não é apenas zootécnico, mas também financeiro. Simulações com bovinos Nelore em fase de recria indicam que a suplementação proteica pode gerar lucro adicional por animal e reduzir o tempo necessário para atingir o peso ideal. Em alguns cenários, os animais suplementados chegaram ao ponto de venda até 30 dias antes, reduzindo custos operacionais.
Outro fator considerado é a mudança gradual do pasto ao longo do próprio período das águas. A partir de março, com a redução das chuvas e dos dias mais longos, a qualidade da forragem tende a cair. Nesse momento, a suplementação ganha ainda mais importância para manter o desempenho dos animais.
A avaliação técnica é que a suplementação, quando bem ajustada ao sistema produtivo, pode melhorar indicadores de produtividade e rentabilidade. Mais do que decidir se deve suplementar, o desafio passa a ser definir o momento e o tipo de suplemento adequado, considerando a qualidade do pasto, a fase dos animais e o objetivo da produção.
