A greve dos rodoviários na Grande São Luís não começa mais nesta quinta-feira, 12.
Mas também não acabou.
Foi apenas empurrada algumas horas para frente.
A paralisação agora está prevista para as primeiras horas desta sexta-feira (13). A mudança veio depois de uma conversa da diretoria do sindicato com o setor jurídico da entidade.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito, houve um equívoco na definição inicial da data.
A orientação foi clara: cumprir o prazo legal para evitar questionamentos e garantir segurança ao movimento.
Na prática, o prefeito ganhou mais um dia sem desgaste nas ruas.
Já os empresários, mais um dia para pagar o que a Justiça do Trabalho já determinou: o reajuste salarial da categoria.
Até agora, segundo o sindicato dos trabalhadores, ninguém recebeu.
Nem motoristas do sistema urbano.
Nem trabalhadores do semiurbano.
O problema, portanto, continua exatamente no mesmo lugar.
O sistema de transporte de São Luís vive uma crise que já não é novidade para ninguém.
Desde o começo do ano, a cidade convive com ameaças de greve, paralisações pontuais, redução de linhas e um clima permanente de instabilidade.
Quem paga a conta, como sempre, é o passageiro.
São milhares de pessoas que dependem dos ônibus todos os dias para trabalhar, estudar ou simplesmente atravessar a cidade.
Hoje, entre motoristas, cobradores e outros profissionais, o sistema reúne algo entre 4,5 mil e 5 mil trabalhadores.
A tensão também envolve acordos que ainda estão sendo ajustados.
Em entrevista à uma rádio local, Marcelo Brito revelou que algumas empresas chegaram a descontar dos salários os dias parados em greves anteriores.
Isso mesmo depois de um entendimento firmado na Justiça do Trabalho.
O combinado era outro: compensação das horas com trabalho em dias de folga.
Segundo o sindicato, os descontos estão sendo revistos e os valores devem ser devolvidos.
No meio desse impasse todo, o Ministério Público do Maranhão também entrou em campo.
Após uma paralisação em fevereiro, o órgão mediou um acordo para garantir a volta da circulação dos ônibus e o pagamento de salários atrasados.
Mas o MP foi além.
Ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura de São Luís, o sindicato das empresas, os consórcios e as próprias operadoras do sistema.
Na ação, cobra medidas urgentes para evitar o colapso definitivo do transporte público da capital.
Entre as propostas está aumentar o subsídio pago às empresas por passageiro transportado.
Hoje o valor é de R$ 1,35.
A proposta seria elevar para R$ 2,15.
Um remédio para tentar equilibrar as contas do sistema.
Se vai funcionar, é outra conversa.
Por enquanto, o que São Luís vive é uma rotina conhecida: greve anunciada, negociação emergencial e um sistema que continua andando no limite.
