Seis dos oito deputados estaduais do PSDB em São Paulo anunciaram compromisso de filiação ao PSD, em um movimento que reduz drasticamente a presença da legenda na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e aponta para a possibilidade de enfraquecimento estrutural do PSDB no estado.
Os parlamentares Analice Fernandes, Barros Munhoz, Carlão Pignatari, Maria Lúcia Amary, Mauro Bragato e Rogério Nogueira formalizaram o compromisso de migrar para o PSD, com previsão de filiação na janela partidária de 4 de março de 2026. Também está prevista a migração de Dirceu Dalben (Cidadania) para o PSD.
Com a saída dos tucanos, o PSDB passa a manter apenas duas cadeiras na Alesp, nas mãos de Bruna Furlan e Carla Morando, colocando em risco sua relevância política no principal estado do país.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, recebeu os deputados e destacou o fortalecimento da legenda na base estadual. Aliados observam com ressalvas o movimento de Kassab e reclamam do dirigente partidário utilizar de sua influência no governo paulista para cooptar novos filiados.
O presidente do PSDB-SP, Paulo Serra, criticou publicamente a ação de Kassab, classificando o movimento como “canibalismo político” e afirmando que a cooptação de quadros não contribui para a construção de um projeto de centro-direita independente.
A debandada ocorre em meio a um processo mais amplo de realinhamento partidário no Brasil, em que o PSD tem ampliado sua base com filiações de políticos de outras legendas, e suscita questionamentos sobre a sobrevivência do PSDB como força política relevante em São Paulo.
