Rubens Pereira Jr. entrou em 2026 tentando vestir o figurino da independência. Autodeclarado distante do Governo Brandão, o deputado federal e vice-presidente nacional do PT vende a imagem de alguém preocupado com a coerência partidária e com os rumos do campo progressista no Maranhão. Mas, ao observar com atenção as entrelinhas da entrevista concedida ao podcast de Rogério Cafeteira, na última quinta-feira (15), o discurso revela algo mais pragmático: Rubens parece, acima de tudo, preocupado com o próprio futuro político.
Em 2022, isso ficou claro — e ele próprio admitiu. Ao migrar para o PT, Rubens tinha um objetivo bem definido: disputar a vaga de vice-governador ou, alternativamente, a primeira suplência ao Senado na chapa de Flávio Dino. Era um cálculo político possível, mas que esbarrou em dois fatores que ele diz não ter previsto. O primeiro foi Othelino Neto, que acabou garantindo a primeira suplência com Ana Paula Lobato, em troca de uma traição ao projeto de Weverton Rocha. O segundo foi a escolha do então governador Flávio Dino por Felipe Camarão como vice, selando o desenho final da chapa.
Derrotado nesse tabuleiro, Rubens saiu de 2022 sem o cargo majoritário mas foi eleito único deputado federal do PT, com ajuda poderosa do Palácio dos Leões, já sob comando de Carlos Brandão e tendo seu pai, Rubão, na coordenação da campanha política exitosa.
Na entrevista, ele tenta reescrever sua posição em relação ao governo estadual. Após o episódio dos áudios vazados, ele tem marcado posição de oposição e chegou a usar a tribuna da Câmara dos Deputados para anunciar “desembarque” do governo Brandão, agora suaviza o discurso.
Dá um passo atrás. A porta não é mais trancada; fica entreaberta. Com seu pai, Rubão, com trânsito livre nos Leões e cogitado para assumir alguma pasta, Rubinho preserva o que sempre o elegeu: estrutura, influência e poder de barganha.
Quando Rubens fala sobre os “caminhos do PT”, curiosamente, esses caminhos sempre parecem levá-lo ao centro do palco. Seu nome — novamente — surge na chapa majoritária, seja qual das três trilhas o PT seguir; Brandão, Camarão ou Braide.
E ele tem mais força em uma composição que o eleitorado de Braide acha improvável. Braide e PT, juntos.
Na entrevista, ao defender, de forma cuidadosa e quase velada, a possibilidade de o PT caminhar com o prefeito de São Luís. Ele mesmo revela que as conversas se dão no plano nacional e que mantém relação direta com o deputado estadual Fernando Braide — irmão do prefeito —, movimento que preserva Eduardo Braide diante de seu eleitorado (avesso ao PT) enquanto constrói pontes nos bastidores.
Os sinais se acumulam. Rubens não parece apostar nem em Brandão, com quem afirma não ver mais possibilidade de diálogo, nem em Felipe Camarão, a quem tenta reduzir politicamente ao dizer que sua força se restringe à militância, especialmente no interior. Ao enfraquecer ambos, fortalece a tese de uma terceira via — Braide — onde ele próprio pode se encaixar como peça indispensável da engrenagem.
Ao final, Rubens se segura nas barbas de Lula. Diz que seguirá a orientação do presidente, mas faz questão de frisar que defenderá suas posições “até o fim”, sem explicitar formalmente.

Deixe um comentário