A jornalista Malu Gaspar, em O Globo, revelou a existência de um contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais elevados, que somariam mais de R$ 120 milhões ao longo de três anos.
O contrato descrevia a prestação de serviços jurídicos estratégicos, incluindo atuação junto a órgãos do Executivo federal, além de interlocução com instâncias do Judiciário e do Legislativo. No entanto, órgãos públicos federais informaram não haver registros formais dessa atuação durante o período previsto.
Até o momento, não há comprovação de irregularidade ou de interferência direta do ministro no contrato. A Procuradoria-Geral da República arquivou pedidos de investigação por ausência de elementos suficientes.
Ainda assim, o caso revela um ponto sensível do funcionamento das instituições no Brasil. Quando familiares diretos de ministros dos tribunais superiores mantêm contratos de alto valor com instituições que estão sob investigação ou fiscalização, a discussão deixa de ser apenas técnica ou jurídica. Passa a envolver questões políticas e institucionais, como transparência, possíveis conflitos de interesse e a confiança da sociedade no Judiciário.
