O clã Braide tem se empenhado em retirar o cheiro esquerdista do grupo político que sustenta uma eventual candidatura de Eduardo Braide ao governo do Estado com alguma musculatura política.
Nesta semana, os sinais foram claros. Eduardo Braide tratou de negar qualquer aproximação com a cúpula do PT em Brasília, em desmentido à TV Mirante. Fernando Braide, por sua vez, avançou um passo além e chutou Eliziane Gama — do mesmo partido do irmão — para fora do desenho público de uma chapa majoritária, mesmo ela disputando a reeleição ao Senado.
Nada disso é improviso. São movimentos calibrados para evitar desgaste com o eleitor mais apaixonado pelo prefeito neste momento do jogo. Eduardo e Fernando sabem que a associação explícita com os dinistas provoca ruído, cria resistência e ameaça o namoro político que o clã mantém com parte da opinião pública urbana.
Na prática, porém, a vaga de Eliziane ao Senado, ao lado de Eduardo Braide na cabeça de chapa ao governo, se impõe quase sozinha. Não por um motivo isolado, mas por três que, no fundo, caminham na mesma direção.
O primeiro parece simples: Eliziane é do mesmo partido do prefeito e, por isso, tem o direito natural de buscar a reeleição pela legenda. Esse motivo, no entanto, não se sustenta sozinho. Ele se conecta ao segundo.
Gilberto Kassab não é espectador. É jogador. E sempre tratou a ida de Eliziane para o partido como parte de um tabuleiro maior, cujo desfecho esperado é o retorno dela ao Senado. Nada ali foi casual, e nada saiu do controle do presidente da sigla.
O terceiro motivo nasce exatamente desse ponto. Um pedido de Lula a Kassab para que Eliziane seja candidata dificilmente seria recusado. Com PT na chapa ou fora dela, com Braide na cabeça ou não, esse movimento se impõe mais por gravidade política do que por afinidade ideológica.
📺 Gostou do texto do Pedro de Almeida? Conheça o canal no YouTube!
No fim, os três motivos deixam de ser três. São um só, visto por ângulos diferentes.
O gesto de Fernando, portanto, não anuncia rompimento. Anuncia tempo. É o “deixa disso”, o “não agora”, o empurrar da conversa para mais adiante. Um recado para o presente, enquanto o discurso ainda precisa parecer limpo, de um projeto genuinamente popular.
