Mesmo errado, Braide empareda vereadores de São Luís

A resposta de Eduardo Braide à crise envolvendo o reajuste do seu próprio salário (e de outros 400 servidores) confirmou que mesmo quando está errado, o prefeito ainda consegue emparedar os vereadores.

E desta vez reduziu um conflito jurídico complexo, que envolve 400 auditores e controladores, decisões do Tribunal de Justiça e quase duas décadas de distorções salariais, a uma narrativa emotiva e de fácil consumo: “querem me cassar porque eu não aceitei aumentar meu salário”.

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A tese é frágil, mas politicamente eficaz. E o Legislativo caiu, mais uma vez, de cabeça na armadilha.

Braide perdeu na Justiça, insistiu que a lei do reajuste era inconstitucional, tentou derrubá-la de todas as formas para evitar o efeito automático que beneficiaria mais de 400 servidores de carreira. Ou seja, não se trata do salário do prefeito, mas de todos que são atrelados ao salário do chefe do executivo municipal. E, mesmo assim, ao transformar o debate em um duelo moral, o prefeito conseguiu envergonhar uma Câmara desgastada pela gestão do presidente Paulo Victor.

O pedido de impeachment não nasceu de vereadores, mas de um servidor aposentado.

A negativa de Braide atinge servidores de carreira que esperam a correção de um teto salarial amarrado justamente ao salário do prefeito. Braide esconde essa parte e se apresenta como alguém avesso a dinheiro, quase um filantropo. Critica as cifras recebidas, compara-se ao prefeito de São Paulo.

O que não aparece no discurso é que ele próprio dobrou os salários dos cargos de vice-prefeito e e secretários. À época, no início do ano, deixou seu próprio salário de fora. A Câmara corrigiu e aumentou o salário do prefeito junto com de seus auxiliares e de servidores de carreira: auditores e controladores.

O processo de impeachment virou o palco perfeito para a distorção.

A pressa da Câmara em pautar um tema dessa gravidade permitiu que Braide se colocasse como vítima mesmo com derrotas na Justiça. É difícil encontrar outra Casa Legislativa tão desastrosamente conduzida quanto a de São Luís. Vencer na Justiça não transformou Paulo Victor em um líder político; e sim, paradoxalmente, em alguém incapaz de administrar a vitória. Pautar um impeachment de bate-pronto é uma demonstração de imaturidade institucional. A população não tem a menor ideia do que se passa na Câmara, mas sabe exatamente o que Braide publica em suas redes sociais.

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O resultado está aí. Braide convocou seus eleitores-seguidores para pressionar os vereadores. A caixa de entrada dos vereadores vai virar uma enxurrada de mensagens, xingamentos e cobranças a favor do prefeito. Braide assumiu o controle da narrativa. E os vereadores agora pagam o preço de não terem entendido a dinâmica da agenda política: quem pauta primeiro, vence.

Caso Paulo Victor opte em colocar o impeachment para votar, na próxima terça-feira, 09, tende a perder. Entrega a Braide a vitória e o discurso perfeito para enterrar de vez a lei do reajuste, sem que o prefeito precise revogá-la. A Câmara sai menor. O prefeito sai mais forte. E os servidores, que são o centro real do problema, seguem com o mesmo salário.

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