Em abril, ao ser provocado sobre a pressão do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, para que o partido entregasse seus cargos no governo Lula, André Fufuca (PP) soltou uma daquelas frases que marcam posição.
“O presidente [Ciro] fala pelo CNPJ do partido e eu falo pelo meu CPF. Quem me nomeou foi o presidente Lula. Quem tira ou coloca, quem manda, quem demite ou não, é o presidente, não sou eu.”, disse o ministro ao radialista Eliézio Silva, durante uma passagem em Timon.
Quase cinco meses depois, a conta chegou. A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, anunciou oficialmente a saída da base do governo. No pacote, a decisão inclui a entrega dos ministérios do Turismo e do Esporte, este último comandado justamente por Fufuca.
Mas o movimento está mais para bravata. Nos bastidores, a determinação de Ciro Nogueira e Antônio Rueda não tem a mesma força quando se trata de caciques do Congresso, como Arthur Lira e Davi Alcolumbre. Até porque mexer com eles seria comprar briga maior que a pretendida.
📺 Gostou do texto do Pedro de Almeida? Conheça o canal no YouTube!
O desembarque, portanto, é mais um recado político que uma retirada em bloco.
A federação se arma para 2026, joga pressão sobre Lula e quer protagonismo. Só que ministros como Celso Sabino e o próprio Fufuca resistem. E, pelo que se ouviu em abril, o deputado-ministro maranhense seguirá sustentando que sua cadeira no Esporte é fruto de um acerto direto com Lula, não com o CNPJ partidário.
