Mês: agosto 2020

Eleições 2020, Opinião, Política

Braide, Neto e Duarte Jr brigam pelo mesmo eleitorado

Fatos políticos do inicio da semana só confirmam o que as pesquisas já mostram: Eduardo Braide (Podemos), Neto Evangelista (DEM) e Duarte Jr (Republicanos) brigam pelo mesmo eleitorado. Os apoios confirmados de Neto e Duarte apenas o distanciam do eleitorado que ainda não tem candidato, o eleitor progressista.

Ocorre que Eduardo Braide parece ter cristalizado a preferência do eleitor conservador. O acerto da estrutura emedebista na campanha de Neto Evangelista ocorreu em Brasília. ACM Neto (DEM), Rodrigo Maia (DEM), Baleia Rossi (MDB) e outros caciques da política nacional negociaram a Prefeitura de São Luís com Weverton Rocha (PDT), Juscelino Filho (DEM) e Neto Evangelista (DEM).

De outro lado, o MDB sai da sombra da política maranhense e mostra que ainda tem força, colocando Roseana Sarney no meio do jogo eleitoral na capital maranhense. Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, assiste tudo de camarote no Palácio dos Leões.

Enquanto Neto optou por esconder o de Roseana de sua campanha, o pré-candidato Duarte Jr (Republicanos) disse ter orgulho da presença do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) em sua campanha. “Não tenho vergonha dos meus aliados, não escondo os meus aliados”, disse Duarte ao agradecer a desistência da então pré-candidatura Detinha (PL) para o consórcio do Moral da BR [Josimar] apoiar sua campanha.

Apesar de ex-comunista, Duarte Jr nunca teve o sangue vermelho do PCdoB correndo em sua veia política, ele sempre quis o sangue azul.  Com a chegada de Josimar, um político profissional, como o próprio se define, Duarte Jr acaba de vez com a capa de novidade na política. O eleitor permite diálogo multipartidário, mas abomina incoerência. A chapa de Duarte representa o fisiologismo do centrão que toma de conta do Congresso Nacional e empaca as mudanças necessárias.

Na semana passada Eduardo Braide também recebeu apoio que consolida o eleitorado que o segue. O senador Roberto Rocha (PSDB), fiador de Bolsonaro e filho da política tradicionalista do Maranhão, aparece como seu principal articulador. Tirou o competitivo Wellington do Curso (PSDB) para apoiar Eduardo Braide. Em 2018, Braide abdicou de enfrentar Flávio Dino e provocar um segundo turno para apoiar Roberto Rocha (PSDB) que amargou os 2,05% dos votos válidos.

Os pré-candidatos estão preocupados em combinar com a política e estão esquecendo de combinar com os eleitores indecisos. Com identificação no campo da direita e conservador, Neto e Duarte vão ter que suar a camisa para tirar voto de Eduardo Braide (Podemos).

Política

Apenas dois vereadores de Paço são contra infraestrutura nos bairros

Vereadores se posicionam contra asfalto para bairros de Paço do Lumiar e sessão acaba em confusão

O vereador Marinho do Paço mostrou, durante a última sessão da Câmara de Paço do Lumiar, sua completa indignação ao ouvir a vereadora Ana Lucia e o vereador França Duarte se manifestarem contra o projeto de lei que garantirá mais de R$ 5 milhões em pavimentação e infraestrutura para diversos bairros luminenses.

Proveniente de recursos do pré-sal, o dinheiro precisa de aprovação da Câmara para serem aplicados imediatamente em bairros como Guaíba, Cidade Verde, Maiobão, dentre dezenas de outros bairros que aguardam serviços de infraestrutura.

Por divergência partidária, a vereadora Ana Lúcia e o vereador França Duarte se posicionaram contra os benefícios para as comunidades de Paço, o que teria provocado a indignação de dezenas de pessoas presentes, além dos demais vereadores, entre eles, Marinho do Paço, que mostrou sua revolta.

“Sou amigo de todos os vereadores, mas eu fico indignado quando eu vejo uma situação dessa bem aqui. Uma vereadora, um vereador, dizer que é contra as coisas boas que vem para o município.”

O vereador ainda disse que compreende a questão de oposição, mas é contra vereadores que agem contra o povo.

“Parlamentar aqui, de oposição, tem que ser de oposição, e não contra o povo,” finalizou o vereador.

Com a confusão feita, a sessão foi suspensa e a matéria voltará a ser apreciada novamente esta semana.

Negócios

Com redução de auxílio emergencial, renda de cabeleireiros cairia 17%; para motoristas de aplicativos, queda seria de 12%

Ganho médio do trabalhador cairia de 29% para apenas 1% no caso do auxílio emergencial ser fixado em R$ 300

A perda de renda de trabalhadores informais pode não ser compensada pelo auxílio emergencial se o novo valor for fixado em R$300 pelo governo federal. Em média, trabalhadores informais que receberem o benefício nesse valor (R$ 300) terão perda de 3% renda, quando comparada à renda pré-pandemia. As estimativas feitas por pesquisadores do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGVcemif) estão publicadas em relatório na sexta (28).

Os pesquisadores avaliaram os efeitos de redução do auxílio emergencial do governo federal sobre a renda de trabalhadores brasileiros a partir da simulação de dois cenários. No primeiro cenário, o auxílio seria reduzido pela metade — assim, trabalhadores que hoje recebem R$1200 passariam (caso de mulheres chefes de família) a receber R$600, enquanto trabalhadores que recebem R$600 receberiam R$300. No segundo cenário, o valor do auxílio emergencial seria fixado em R$300 para qualquer categoria de trabalhador. Em qualquer um dos cenários, o ganho médio de renda de trabalhadores formais e informais se reduziria, atingindo 9%, caso o Governo Federal optasse pelo primeiro cenário, e de 1%, caso optasse pelo segundo.

Segundo o pesquisador Lauro Gonzalez, coordenador do trabalho, “é possível que ocorram alterações significativas nos ganhos de renda a partir das prováveis mudanças no valor do Auxílio Emergencial. Em um cenário no qual o Governo Federal reduza o Auxílio Emergencial para R$300, diversos tipos de trabalho passam a apresentar perda de renda em relação à situação pré-pandemia. Por exemplo, cabelereiros, com redução de 17% na sua renda, motoristas de aplicativos e comerciantes donos de bar, com redução de 12%”.

Os pesquisadores voltaram aos dados do levantamento anterior, feito em julho, e avaliaram que o aumento médio de renda dos trabalhadores incorporando o Auxílio Emergencial passou de 29%, em julho, para 34% em agosto. A perda média de renda, que era de 18% em julho, passou para 14% neste último levantamento. Como apontam no relatório, essa mudança pode ter relação com a ativação de atividades econômicas durante o último mês em algumas regiões brasileiras.

Agência Bori