Toda crise há uma oportunidade. Parece que assim estão agindo os congressistas: como oportunistas. Já falam em adiar, ou mesmo, cancelar as eleições de 2020 – jogando o pleito, defendem alguns, para 2022. O senador maranhense Weverton Rocha (PDT) chegou a cogitar unificar as eleições (municipais e gerais), mas antes de protocolar uma PEC, foi demovido da ideia ao falar com consultores do senado e de juristas do Supremo Tribunal Federal.

A verdade é que tem muita gente, pelo Brasil, de olho na oportunidade de alterar a data da eleição municipal. Ainda é cedo para falar em cancelar eleição. Todas as atenções, neste momento, estão voltadas para encontrar soluções para a crise sanitária que invadiu o Brasil. O novo coronavírus deve ser pauta exclusiva das decisões do congresso. A economia, a maior afetada depois da saúde pública, deve também merecer todas as atenções.

Estatísticos do Ministério da Saúde acreditam que os números começam a cair somente em setembro, já avizinhando a eleição de outubro. O Ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) deu essa informação nesta sexta-feira (20). Com a eleição marcada para começar no dia 16 de agosto, a informação do ministro gerou preocupação quanto ao calendário eleitoral até agosto.

A lei eleitoral determina como prazo a escolha dos candidatos de 20 de julho até 05 de agosto. Dirigentes acreditam que o avanço do COVID-19 pode atrapalhar todo o planejamento partidário, como a realização de convenções, por conta da proibição de eventos por conta da aglomeração de pessoas.

A saída, pode ser, a virtualização da agenda eleitoral. O próprio Supremo tem feito julgamentos no ambiente virtual. Casamentos estão sendo realizados por vídeo-chamada e o Senado Federal já começou suas votações por uma plataforma de videoconferência, também. A Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa do Maranhão também devem realizar sessões pela Internet.

O risco maior é com a saúde do povo brasileiro. As eleições não estão em risco. Se não acontecer na data marcada, elas ainda vão acontecer. Se não cuidarmos da saúde das pessoas, essas não têm volta. Repito. Os esforços agora devem ser unicamente para encontrar soluções para esta crise sanitária. Um país que está sem presidente, pode ficar outubro sem eleição, mas a preocupação eleitoreira é inoportuna.

O SUS merece mais preocupação.